O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que causa perda de memória e declínio
cognitivo progressivo. Tradicionalmente, seu diagnóstico envolvia avaliação clínica,
testes cognitivos e exames de imagem para exclusão de causas secundárias.
Nos últimos anos, novos biomarcadores estão surgindo, para auxiliar no processo
diagnóstico, e futuramente, no tratamento.
O que são biomarcadores e como eles funcionam
Biomarcadores são medidas biológicas que refletem processos patológicos no
organismo. No contexto do Alzheimer, eles podem indicar a presença de alterações
características da doença — como depósitos de beta-amiloide e proteínas tau anormais
no cérebro.
Tradicionalmente, esses marcadores eram detectados por:
● PET scan (imagens que mostram acúmulo de proteínas amilóides ou tau)
● Exame do LCR (punção lombar para medir níveis de beta-amiloide, tau total e tau
fosforilada)
Apesar de precisos, esses métodos são caros e/ou invasivos.
A revolução dos exames de sangue
Nos últimos anos, avanços científicos possibilitaram a detecção de marcadores biológicos
diretamente no sangue, tornando o diagnóstico mais simples e potencialmente mais
acessível. Entre os mais estudados estão:
● p-tau217 e p-tau181: formas da proteína tau associadas à patologia do Alzheimer.
● Relação Aβ42/Aβ40: indica acúmulo de beta-amiloide no cérebro.
● Proteínas como NfL e GFAP: refletem dano neuronal e alterações inflamatórias.
Esses exames ainda não substituem o PET ou o líquor, mas apresentam forte correlação
com alterações cerebrais típicas da doença, podendo identificar pessoas em risco
mesmo antes do aparecimento de sintomas clínicos significativos.
Para que servem esses marcadores
- Possível detecção precoce: identificar alterações biológicas antes do surgimento
de perda de memória ou dificuldades cognitivas. - Apoio à pesquisa e tratamentos futuros: seleção de pacientes para ensaios
clínicos de terapias experimentais.
É importante enfatizar que, mesmo com esses avanços, os exames sanguíneos não
confirmam nem descartam o Alzheimer.
Eles indicam alterações que podem estar associadas à doença, mas o diagnóstico
definitivo continua sendo clínico, baseado em avaliação médica completa.
Limitações
A principal limitação desses marcadores é que, além de não confirmar ou excluir o
surgimento de Alzheimer com certeza, não existe hoje tratamento medicamentoso capaz
de interromper a progressão do Alzheimer.
Mesmo que um exame sanguíneo mostre alterações, não há medicação que cure a doença
atualmente.
Portanto, intervenções de estilo de vida — como exercícios físicos, alimentação
saudável, controle da pressão e colesterol, estímulo cognitivo e sono adequado —
estratégias que comprovadamente funcionam, permanecem fundamentais,
independentemente do resultado do marcador.
Além disso, os resultados devem ser interpretados como indicadores de risco, e não
como uma certeza de que a doença vai evoluir. A combinação de exame, histórico clínico e
acompanhamento regular é essencial.
Conclusão
Os novos marcadores sanguíneos representam um avanço importante no diagnóstico
precoce do Alzheimer, tornando os testes menos invasivos e mais acessíveis. No entanto,
eles não substituem a avaliação clínica e não alteram a principal limitação da doença:
a falta de tratamento que a interrompa.
Entretanto, são mais um importante passo para o avanço do diagnóstico e surgimento de
tratamentos.
Cuidar da saúde cerebral e monitorar regularmente continua sendo a melhor
estratégia para quem busca manter qualidade de vida.
Em caso de dúvidas, procure um Neurologista.