Autismo e Suas Classificações: O Aumento do Diagnóstico de TEA


O Transtorno do Espectro Autista (TEA), popularmente chamado de autismo, é uma
condição neurológica caracterizada por diferenças no desenvolvimento social, na
comunicação e em padrões de comportamento e interesses.

Nos últimos anos, os diagnósticos têm aumentado, mas isso não significa necessariamente
que mais pessoas estão nascendo com autismo.

O que mudou foi a forma de reconhecer, compreender e diagnosticar o espectro.

Hoje, profissionais de saúde e escolas estão mais atentos aos sinais, e a própria definição
do autismo foi ampliada.

Os critérios agora englobam muitas pessoas que, há alguns anos, não tinham diagnóstico.

Isso inclui pessoas com sintomas leves, antes não identificadas, que agora se beneficiam
de acompanhamento e suporte adequados.

Classificação segundo o DSM-5

O DSM-5, manual utilizado por profissionais de saúde mental, classifica todos os graus de
autismo como Transtorno do Espectro Autista e não mais como categorias separadas
(como Síndrome de Asperger ou Transtorno Invasivo do Desenvolvimento).

O manual define também níveis de suporte para indicar a intensidade da necessidade de
ajuda de cada indivíduo.

Nível 1: Requer algum suporte
Nível 2: Requer suporte substancial
Nível 3: Requer suporte muito substancial.

Lembrando que não existe suporte 0, pois requerer algum tipo de auxílio faz parte
obrigatória do diagnóstico.

Essa classificação permite que o tratamento e as intervenções sejam adaptados à realidade
de cada indivíduo, reconhecendo que o espectro é amplo e que cada pessoa apresenta
diferentes combinações de habilidades e desafios.

Classificação segundo o CID-11

A CID-11 (atualização da classificação CID-10) utilizada internacionalmente para
estatísticas de saúde e diagnóstico médico, também reconhece o espectro autista.

Diferente do DSM-5, ela enfatiza a presença ou não de deficiências funcionais em áreas
como comunicação, interação social e atividades da vida diária.

Essa abordagem ajuda a diferenciar:

● Pessoas que apresentam traços do espectro, mas funcionam de forma independente
● Pessoas que necessitam de suporte contínuo para participação social e atividades
básicas. Seja por deficiência na área social ou de linguagem, ou em alguns casos
por graus de deficiência cognitiva.

Assim, a CID-11 contribui para políticas públicas e acesso a serviços de acordo com o grau
de impacto do autismo na vida da pessoa.

Por que o aumento de diagnósticos é importante

O maior número de diagnósticos reflete mais conhecimento e melhor identificação, e não
necessariamente um aumento real na prevalência do autismo. Essa ampliação permite:

● Intervenções precoces, que melhoram habilidades sociais e cognitivas
● Planejamento educacional personalizado
● Apoio às famílias e inclusão social

Reconhecer o espectro como um conjunto de variações do desenvolvimento humano ajuda
a reduzir estigmas e a oferecer suporte adequado, respeitando as diferenças individuais.