A enxaqueca é uma doença neurológica que pode comprometer significativamente a
qualidade de vida. Diferente de uma dor de cabeça comum, ela costuma ser recorrente,
intensa e, muitas vezes, acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz e ao som. Nos
últimos anos, novos tratamentos ampliaram as opções de controle da doença,
especialmente para pacientes que não melhoram com abordagens tradicionais.
Atualmente, o tratamento da enxaqueca envolve medidas não farmacológicas,
medicações preventivas de uso contínuo e terapias específicas, que permitem um
cuidado mais individualizado.
Medidas não farmacológicas: parte essencial do tratamento
Alguns cuidados do dia a dia são fundamentais para o controle da enxaqueca e aumentam
a eficácia dos tratamentos medicamentosos:
● Sono regular e de qualidade
● Evitar longos períodos de jejum
● Controle do estresse
● Atividade física regular
● Boa ingesta hídrica
Essas medidas ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises e devem ser
mantidas a longo prazo.
Tratamento preventivo oral: ainda muito eficaz
Quando as crises são frequentes, o uso de medicação profilática contínua por via oral é
uma estratégia consagrada. Esses medicamentos não são usados para aliviar a dor da
crise, mas para reduzir o número de dias de dor ao longo do mês, além de diminuir sua
intensidade e duração.
Embora muitos pacientes respondam bem, alguns não obtêm o controle desejado ou
apresentam efeitos colaterais, tornando necessário considerar opções terapêuticas mais
recentes.
3 novos tratamentos que ampliaram o controle da enxaqueca
- Bloqueio periférico do nervos occipitais com lidocaína
O bloqueio dos nervos occipitais é um procedimento relativamente simples, realizado em
consultório por neurologista especializado em cefaleias, com aplicação de anestésico
local na região próxima da nuca e região cervical. Ele pode:
● Proporcionar alívio rápido
● Reduzir a frequência das crises
● Ajudar em casos mais resistentes
● Servir como ponte terapêutico aé controle por outro método
É uma opção complementar, especialmente em períodos de piora da dor.
- Toxina botulínica para enxaqueca crônica
Indicada para pacientes com enxaqueca crônica (15 ou mais dias de dor por mês), a
toxina botulínica é aplicada em diversos pontos específicos da cabeça e do pescoço.
Seus principais benefícios incluem:
● Redução do número de dias de dor
● Menor intensidade das crises
● Melhora da qualidade de vida
É um tratamento seguro e com eficácia bem estabelecida.
- Imunobiológicos subcutâneos injetáveis
Os imunobiológicos são medicamentos desenvolvidos especificamente para a prevenção da
enxaqueca, atuando em mecanismos relacionados à dor, como o sistema do CGRP.
Aplicados por via subcutânea, geralmente de forma mensal, apresentam:
● Alta eficácia
● Boa tolerabilidade
● Facilidade de uso
Antes indicados somente para casos refratários, já são utilizados como primeira linha em
diversos países.
Tratamento individualizado é fundamental
Não existe um único tratamento ideal para todos. A escolha deve ser individualizada,
considerando o tipo de enxaqueca, a frequência das crises e a resposta a tratamentos
prévios.
A avaliação com um neurologista é essencial para definir a melhor estratégia e melhorar a
qualidade de vida.