Colesterol LDL e cérebro: qual a relação com AVC e demência?

Quando falamos em colesterol LDL elevado, é comum pensar primeiro em infarto. Entretanto, o excesso de LDL também tem importantes consequências para a saúde do cérebro.

Além de aumentar o risco de AVC isquêmico, estudos recentes vêm reforçando uma associação entre colesterol elevado durante a meia-idade e maior risco de desenvolver demência décadas depois.

Por isso, controlar o colesterol não é apenas uma estratégia para proteger o coração. Também faz parte da prevenção de doenças neurológicas.

LDL elevado aumenta o risco de AVC?

Sim.

O LDL participa diretamente da formação das placas de aterosclerose nas artérias. Com o passar dos anos, essas placas podem estreitar vasos sanguíneos ou favorecer a formação de coágulos.

Quando isso acontece nas artérias responsáveis pela circulação cerebral, aumenta o risco de AVC isquêmico.

Estudos realizados especificamente após AVC demonstraram benefício ao atingir níveis de LDL abaixo de 70 mg/dL em pacientes com doença aterosclerótica.

 

E qual a relação entre colesterol e demência?

Essa é uma área que ganhou ainda mais importância nos últimos anos.

Grandes estudos observacionais mostram que níveis elevados de colesterol durante a meia-idade estão associados a maior risco de comprometimento cognitivo e demência no futuro.

Uma revisão sistemática envolvendo aproximadamente 1,2 milhão de pessoas encontrou que, para cada aumento de aproximadamente 39 mg/dL no LDL durante a meia-idade, houve aumento de cerca de 8% no risco futuro de demência.

A relação parece ser especialmente importante quando o colesterol está elevado por muitos anos.

 

Uma nova descoberta na prevenção da demência

Em 2024, a Comissão da revista científica The Lancet sobre prevenção da demência incluiu o LDL elevado na meia-idade como um novo fator de risco modificável para demência.

Segundo o relatório, o colesterol LDL elevado a partir da meia-idade pode estar relacionado a aproximadamente 7% dos casos de demência na população.

Isso não significa que colesterol elevado seja responsável sozinho pela doença de Alzheimer.

A demência é resultado da combinação de idade, genética, fatores vasculares, estilo de vida e diferentes processos biológicos.

Entretanto, as evidências atuais reforçam que cuidar dos fatores cardiovasculares ao longo da vida também é uma forma de cuidar da saúde cerebral.

 

Quanto menor o LDL, melhor?

Nos pacientes de maior risco, as metas de LDL vêm ficando progressivamente menores.

Durante muitos anos, valores abaixo de 100 mg/dL eram considerados excelentes para grande parte da população. Hoje sabemos que pessoas com doença cardiovascular ou cerebrovascular podem se beneficiar de níveis muito inferiores.

Dependendo do risco individual, podem ser utilizadas metas como:

  • abaixo de 100 mg/dL em alguns pacientes de menor risco;
  • abaixo de 70 mg/dL em pacientes de alto risco;
  • abaixo de 55 mg/dL em pacientes de risco muito elevado.

Grandes estudos com estatinas, ezetimiba e medicamentos inibidores da PCSK9 também permitiram observar pacientes atingindo níveis muito baixos de LDL.

O LDL ideal é diferente para cada pessoa

Não existe um único valor de colesterol adequado para todas as pessoas.

A meta depende da idade, presença de diabetes, hipertensão, tabagismo, histórico familiar, doença arterial, infarto, AVC prévio e outros fatores.

Uma pessoa jovem sem doença vascular pode ter uma meta muito diferente daquela indicada para alguém que já sofreu um AVC isquêmico.

O conceito mais importante atualmente é simples: quanto maior o risco vascular, mais rigoroso deve ser o controle do LDL.

 

Proteger as artérias também é proteger o cérebro

A prevenção das doenças neurológicas começa muito antes dos primeiros sintomas.

Controlar colesterol, pressão arterial e diabetes, realizar atividade física, não fumar e manter hábitos de vida saudáveis reduz o risco de doenças vasculares e contribui para preservar a saúde cerebral ao longo dos anos.

O LDL deixou de ser apenas um número relacionado ao coração. Hoje sabemos que seu controle também tem papel importante na prevenção do AVC e provavelmente faz parte de uma estratégia mais ampla de redução do risco de demência.

Em caso de dúvidas, consulte o neurologista.

Referências

  1. Dodick DW, et al. OnabotulinumtoxinA for treatment of chronic migraine: pooled results from the PREEMPT clinical program. Headache. 2010.
  2. Bendtsen L, et al. Guideline on the use of onabotulinumtoxinA in chronic migraine. J Headache Pain. 2018.
  3. Amarenco P, et al. A Comparison of Two LDL Cholesterol Targets after Ischemic Stroke. N Engl J Med. 2020.
  4. Livingston G, et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. Lancet. 2024.