O tratamento da doença de Parkinson evoluiu muito nas últimas décadas, mas um dos medicamentos mais antigos continua sendo também um dos mais importantes: a Levodopa.
No Brasil, ela é conhecida principalmente por apresentações como o Prolopa, que combina levodopa e benserazida.
A levodopa atravessa a barreira hematoencefálica e, no cérebro, é convertida em dopamina, ajudando a repor a deficiência desse neurotransmissor, que é justamente a principal característica da doença de Parkinson.
Prolopa ainda é o principal tratamento?
Sim.
Apesar de ser uma medicação antiga e disponível pelo SUS, a levodopa não deve ser considerada um tratamento ultrapassado. Pelo contrário: continua sendo o medicamento mais eficaz para melhorar os principais sintomas motores da doença de Parkinson.
Ela melhora:
- lentidão dos movimentos;
- rigidez;
- tremor em muitos pacientes;
- dificuldade para caminhar e realizar atividades do dia a dia.
Diretrizes atuais continuam mostrando que a levodopa oferece maior benefício motor do que outras classes de medicamentos dopaminérgicos.
O tratamento deve ser individualizado, ajustando dose e horários conforme os sintomas e a duração do efeito ao longo do dia.
Existem outros medicamentos?
Sim. Dependendo da fase da doença e dos sintomas, podem ser utilizados outros medicamentos, isoladamente ou associados à levodopa.
Entre eles estão pramipexol, rasagilina, entacapona e amantadina.
Essas medicações podem ajudar principalmente quando começam a surgir períodos em que o efeito da levodopa dura menos, chamados períodos OFF, ou movimentos involuntários relacionados ao tratamento.
O próprio protocolo brasileiro para doença de Parkinson inclui diferentes opções conforme a fase e as complicações motoras. Entretanto na maioria das vezes eles não substituem a Levodopa (Prolopa).
E a cirurgia de DBS?
A estimulação cerebral profunda, conhecida como DBS, pode ser indicada para alguns pacientes com doença de Parkinson.
Por meio de eletrodos implantados em regiões específicas do cérebro, a estimulação pode reduzir períodos OFF, tremor e discinesias e, em alguns casos, permitir redução das doses de medicamentos.
Entretanto, não é indicada para todos os pacientes e não substitui completamente o tratamento medicamentoso. A seleção adequada do paciente é fundamental, utilizada principalmente em casos mais avançados onde os sintomas motores são o principal problema do paciente.
Existe tratamento que impeça a progressão do Parkinson?
Até o momento, nenhum medicamento ou cirurgia demonstrou de forma definitiva interromper a progressão da doença de Parkinson.
Entretanto, uma das estratégias mais importantes para quem tem Parkinson não está dentro de uma caixa de remédio: é o exercício físico.
Estudos mostram benefícios tanto do exercício aeróbico quanto do treinamento de força.
O papel da atividade física
Atividades aeróbicas, como caminhada rápida, bicicleta ou esteira, podem melhorar condicionamento, mobilidade e sintomas motores. Atividade aeróbicas também auxiliam na capacidade cadio pulmonar.
Exercícios resistidos, como musculação, ajudam a preservar força, equilíbrio e capacidade funcional. Diminuindo a progressão dos principais sintomas motores.
Revisões sistemáticas mostram que diferentes modalidades de exercício podem melhorar sintomas motores e qualidade de vida. Existe crescente interesse científico na possibilidade de que o exercício também possa influenciar a evolução da doença, mas isso ainda não permite afirmar que ele interrompa sua progressão.
O tratamento ideal combina estratégias
O melhor tratamento para Parkinson geralmente não é apenas um medicamento.
Levodopa continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para controlar os sintomas.
Outros medicamentos, fisioterapia, exercícios aeróbicos e de força e, em casos muito selecionados, DBS podem ser combinados ao longo da evolução da doença.
Em caso de dúvidas, consulte o neurologista.
Referências
- Pringsheim T, Day GS, Smith DB, et al. Dopaminergic Therapy for Motor Symptoms in Early Parkinson Disease Practice Guideline Summary. Neurology. 2021;97(20):942-957.
- Ernst M, Folkerts AK, Gollan R, et al. Physical exercise for people with Parkinson’s disease: a systematic review and network meta-analysis. Cochrane Database Syst Rev. 2023;1:CD013856.
- Zhou X, Zhao P, Guo X, et al. Effectiveness of aerobic and resistance training on the motor symptoms in Parkinson’s disease: systematic review and network meta-analysis. Front Aging Neurosci. 2022;14:935176.
- Yang X, Wang Z. Effectiveness of Progressive Resistance Training in Parkinson’s Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis. Eur Neurol. 2023;86(1):25-33.
- European Academy of Neurology/Movement Disorder Society-European Section Guideline on the Treatment of Parkinson’s Disease: Invasive Therapies. Mov Disord. 2022.
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Parkinson. Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 16, 2025.